Por que o retrofit tende a ser mais lucrativo do que a construção nova na próxima década

Publicação Autoral, blog da dupllex em 02 de março de 2026.

O retrofit deixou de ser apenas um termo técnico e passou a figurar nas principais análises de tendência do mercado imobiliário global. A razão é simples: diante da escassez de terrenos, do envelhecimento da infraestrutura urbana e das novas exigências de eficiência, o aproveitamento do estoque existente vem se consolidando como um vetor de valorização potencialmente superior ao da construção nova nos próximos dez anos [1][2].

Retrofit em números: um mercado em expansão global

Estudos internacionais indicam que o mercado global de retrofit energético deve crescer de aproximadamente US$ 160 bilhões em 2024 para mais de US$ 240 bilhões até 2030, com taxas anuais consistentes acima de 7% [1]. Projeções de longo prazo apontam que esse volume pode ultrapassar US$ 290 bilhões até 2033, impulsionado principalmente por Europa e América do Norte [2].

Esse crescimento não se limita à eficiência energética. Ele reflete uma mudança estrutural na forma como imóveis existentes são reposicionados economicamente.

Europa: política urbana como motor do retrofit

Na União Europeia, mais de 75% dos edifícios foram construídos antes de padrões modernos de eficiência energética, o que tornou o retrofit uma prioridade econômica e ambiental. O programa Renovation Wave, liderado pela Comissão Europeia, tem como meta dobrar a taxa de renovação dos edifícios até 2050, impactando diretamente o valor dos ativos urbanos [3].

Pesquisas indicam que imóveis submetidos a retrofits profundos podem registrar valorização de até 13,5% em comparação a edifícios similares não requalificados, especialmente em áreas centrais de grandes cidades [4].

Estados Unidos: incentivos e previsibilidade financeira

Na América do Norte, o mercado de serviços de retrofit já movimenta mais de US$ 40 bilhões por ano, com crescimento sustentado impulsionado por incentivos fiscais federais e estaduais [5].

Relatórios da OCDE indicam que projetos de retrofit oferecem melhor equilíbrio entre risco e retorno em comparação à construção nova, sobretudo em ciclos de juros elevados, devido ao menor tempo de capital imobilizado e à previsibilidade regulatória [6].

Brasil: um mercado em aceleração

No Brasil, o retrofit ainda representa uma parcela pequena do mercado imobiliário, mas cresce de forma consistente. Levantamentos recentes identificam 59 projetos de retrofit ativos em cinco capitais, com São Paulo e Rio de Janeiro concentrando cerca de 86% dessas iniciativas [7][9].

Em São Paulo, programas públicos de requalificação urbana vêm criando incentivos fiscais e regulatórios que tornaram viáveis projetos antes considerados economicamente inviáveis [8]. O resultado tem sido uma absorção mais rápida das unidades e valorização do metro quadrado em áreas centrais.

Economia urbana, risco e retorno

Do ponto de vista econômico, o retrofit apresenta vantagens estruturais claras:
menor necessidade de aquisição de terrenos, redução de riscos regulatórios, prazos mais curtos de execução e melhor aproveitamento da infraestrutura urbana existente [6][10].

Em contraste, a construção nova enfrenta aumento consistente no custo de insumos, mão de obra e maior exposição a atrasos, fatores que pressionam margens e ampliam riscos financeiros.

Conclusão

A experiência dos mercados maduros e os dados mais recentes indicam uma tendência clara: em cidades consolidadas, a lucratividade imobiliária tende a migrar da expansão para a transformação.

Ao longo da próxima década, o retrofit deve se consolidar como uma estratégia mais eficiente, previsível e economicamente sustentável do que a construção nova, especialmente em regiões onde o solo urbano já é um recurso escasso.

Referências

GRAND VIEW RESEARCH. Energy Retrofit Systems Market Size, Share & Trends Analysis Report. San Francisco: Grand View Research, 2024. Disponível em: https://www.grandviewresearch.com/industry-analysis/energy-retrofits-systems-market

MARKET DATA FORECAST. Energy Retrofit Systems Market Research Report – Global Forecast to 2033. Hyderabad: Market Data Forecast, 2024. Disponível em: https://www.marketdataforecast.com/market-reports/energy-retrofit-systems-market

EUROPEAN COMMISSION. Renovation Wave: doubling renovation rates to cut emissions, boost recovery. Bruxelas: Comissão Europeia, 2023. Disponível em: https://energy.ec.europa.eu/topics/energy-efficiency/energy-efficient-buildings/renovation-wave_en

MDPI. Impact of Deep Energy Renovation on Property Value in European Cities. Basel: Multidisciplinary Digital Publishing Institute, 2023. Disponível em: https://www.mdpi.com/2075-5309/15/3/376

GROWTH MARKET REPORTS. Building Retrofit Service Market Size, Share & Forecast. Pune: Growth Market Reports, 2024. Disponível em: https://growthmarketreports.com/report/building-retrofit-service-market 

OECD. Future-Proofing Real Estate Investment. Paris: Organisation for Economic Co-operation and Development, 2025. Disponível em: https://www.oecd.org/real-estate-investment

PORTAS. Retrofit com incentivos públicos chega a 59 projetos em cinco capitais brasileiras. São Paulo: Portas, 2024. Disponível em: https://portas.com.br/noticias/retrofit-com-incentivos-publicos-chegam-a-59-projetos-em-5-capitais/ 

GRI INSTITUTE. São Paulo se consolida como laboratório do retrofit no Brasil. São Paulo: GRI Institute, 2024. Disponível em: https://news.griinstitute.org/pt/real-estate/sao-paulo-e-o-novo-laboratorio-do-retrofit 

MANCHETE RIO. Rio e São Paulo concentram 86% dos projetos de retrofit no Brasil. Rio de Janeiro: Manchete Rio, 2024. Disponível em: https://mancheterio.com.br 

NZERO. Expanding the Retrofit Pipeline: Opportunities and Economic Impact. Londres: NZero Group, 2024. Disponível em: https://nzero.com/blog/expanding-the-retrofit-pipeline-new-opportunities-for-contractors-and-escos/

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